Parábola do Expresso Corujão
Na
minha época de faculdade, fui um dos alunos designados a fazer
trabalho de campo como parte do nosso curso de geologia e uma certa
designação fez com que nos demorássemos muitos dias no campo.
Tínhamos atravessado, examinado e mapeado muitos quilômetros de
terras baixas e altas, vales, morros, montanhas e desfiladeiros.
Aproximando-se a data marcada para terminarmos nossas pesquisas,
fomos apanhados por ventos fortíssimos e, em seguida, por uma
nevasca fora da estação e inesperada, que no entanto foi aumentando
de intensidade de maneira que começamos a correr perigo de ficar
isolados nas montanhas. A tempestade atingiu o ápice quando
descíamos um longo trecho na vertente de uma colina íngreme a
muitos quilômetros de distância da pequena estação de trem na
qual tínhamos esperança de pegar um expresso que nos levasse aquela
noite para casa. Chegamos à estação com grande dificuldade, tarde
da noite, e a tempestade continuava forte. Devido ao vento gelado e à
neve, sentíamos muito frio e, para completar nosso desconforto,
soubemos que o trem que esperávamos ficara preso nos trilhos por
causa da neve há alguns quilômetros daquela pequena estação. O
trem que ansiosamente esperávamos era o Expresso Corujão, um trem
noturno bastante rápido que ligava cidades grandes. Seus horários
permitiam que parasse apenas nas estações mais importantes, mas
ficamos sabendo que precisava parar naquele local, apesar da estação
ser insuficiente para suprir a água da locomotiva.
O trem
chegou muito depois da meia noite, debaixo de muito vento e muita
neve. Meus companheiros entraram no trem mas eu me demorei um pouco,
atraído pelo maquinista, que durante a breve parada estava ocupado
com a maquinaria, colocando óleo em algumas partes, ajustando outras
e vistoriando as condições da locomotiva, enquanto seu assistente
reabastecia o suprimento de água. Aventurei-me a conversar com ele e
perguntei-lhe como se sentia numa noite tenebrosa como aquela em que
os poderes da destruição pareciam soltos em todo lugar,
incontroláveis, quando a tempestade castigava-os e o perigo ameaçava
de todos os lados. Pensei na possibilidade de a neve acumular-se
sobre o trem, de pontes terem sido danificadas pela tempestade ou por
deslizamentos das montanhas. Pensei nesses e em outros possíveis
obstáculos. Percebi que caso sofrêssemos um acidente, como de os
trilhos ficarem bloqueados pela neve ou o trem descarrilar, o
maquinista e o foguista seriam os que mais estariam expostos ao
perigo e uma colisão violenta provavelmente custaria a vida deles.
Todos esses pensamentos e outros eu expus, num rápido
questionamento, ao maquinista ocupado e sua resposta foi uma lição
que jamais esquecerei. Ele disse, embora de um jeito abrupto e
desarticulado: “Olhe para o farol da locomotiva. Aquela luz não
ilumina os trilhos por 100 metros ou mais? Bom, tudo que eu tento
fazer é cobrir esses 100 metros de trilhos iluminados”. Em meio a
neve e o vento, naquela noite tempestuosa, vi em seu rosto um sorriso
bem-humorado e um piscar de olhos: “Acredite, nunca consegui
dirigir essa locomotiva velha tão rápido a ponto de ultrapassar os
100 metros de trilhos iluminados. Que Deus a abençoe por isso! A luz
da locomotiva está sempre à minha frente!”
Quando ele subiu
para o seu lugar na cabine, corri para tomar o primeiro assento de
passageiros e, ao sentar-me no banco acolchoado, sentindo o prazer do
conforto e do calor, em grande contraste com a noite fria lá fora,
pensei muito nas palavras do maquinista, todo sujo e com manchas de
óleo na roupa. Eram palavras cheias de fé, a fé que acompanha
realizações, que dá coragem e determinação, que conduz obras. O
que teria acontecido se o maquinista tivesse falhado, hesitado e
sentido medo, se tivesse se recusado a prosseguir por causa do perigo
ameaçador? Quem sabe que trabalhos teriam ficado por fazer, que
planos teriam sido nulos, que encargos divinos de misericórdia e
consolo teriam sido impedidos de se realizar se o maquinista
fraquejasse e sucumbisse ao medo?
Por uma pequena distância, os
trilhos castigados pela tempestade estavam iluminados e por aquela
curta distância o maquinista foi dirigindo a locomotiva.
Podemos
não saber o que nos espera em anos futuros, nem nos próximos dias e
horas. Mas por alguns quilômetros, ou provavelmente apenas alguns
metros, os trilhos estão iluminados, nosso plano é claro, nosso
curso é visível. Por
aquela curta distância do próximo passo, iluminados pela inspiração
de Deus, podemos seguir em frente!
(Élder James E. Talmage (1862–1933), que serviu como Apóstolo durante 22 anos e escreveu dois livros para a Igreja que são muito usados hoje: Jesus, o Cristo e As Regras de Fé. Em janeiro de 1914, começou a publicar uma série de parábolas tiradas de sua própria experiência pessoal, que ensinam princípios do evangelho.)
Feliz por estar aqui em mais um aniversário de Jesus, que deu sua vida por amor e para nos mostrar o caminho, desejando a todos os amigos, que para minha enorme alegria, são muitos e, claro, a toda minha família, um Natal repleto de paz e alegria.
FELIZ NATAL a todos!!

Sensacional parábola meu amigo! Mostra de uma maneira bem simples que não devemos temer as adversidades da vida, afinal, sejam 100 metros ou um período de tempo curto, temos que seguir em frente e fazer o que tem que ser feito. BOAS FESTAS!!!
ResponderExcluirMuito obrigado, meu caro. Feliz Natal.
Excluir