domingo, 21 de dezembro de 2025

FELIZ NATAL!!


Parábola do Expresso Corujão

Na minha época de faculdade, fui um dos alunos designados a fazer trabalho de campo como parte do nosso curso de geologia e uma certa designação fez com que nos demorássemos muitos dias no campo. Tínhamos atravessado, examinado e mapeado muitos quilômetros de terras baixas e altas, vales, morros, montanhas e desfiladeiros. Aproximando-se a data marcada para terminarmos nossas pesquisas, fomos apanhados por ventos fortíssimos e, em seguida, por uma nevasca fora da estação e inesperada, que no entanto foi aumentando de intensidade de maneira que começamos a correr perigo de ficar isolados nas montanhas. A tempestade atingiu o ápice quando descíamos um longo trecho na vertente de uma colina íngreme a muitos quilômetros de distância da pequena estação de trem na qual tínhamos esperança de pegar um expresso que nos levasse aquela noite para casa. Chegamos à estação com grande dificuldade, tarde da noite, e a tempestade continuava forte. Devido ao vento gelado e à neve, sentíamos muito frio e, para completar nosso desconforto, soubemos que o trem que esperávamos ficara preso nos trilhos por causa da neve há alguns quilômetros daquela pequena estação. O trem que ansiosamente esperávamos era o Expresso Corujão, um trem noturno bastante rápido que ligava cidades grandes. Seus horários permitiam que parasse apenas nas estações mais importantes, mas ficamos sabendo que precisava parar naquele local, apesar da estação ser insuficiente para suprir a água da locomotiva.
O trem chegou muito depois da meia noite, debaixo de muito vento e muita neve. Meus companheiros entraram no trem mas eu me demorei um pouco, atraído pelo maquinista, que durante a breve parada estava ocupado com a maquinaria, colocando óleo em algumas partes, ajustando outras e vistoriando as condições da locomotiva, enquanto seu assistente reabastecia o suprimento de água. Aventurei-me a conversar com ele e perguntei-lhe como se sentia numa noite tenebrosa como aquela em que os poderes da destruição pareciam soltos em todo lugar, incontroláveis, quando a tempestade castigava-os e o perigo ameaçava de todos os lados. Pensei na possibilidade de a neve acumular-se sobre o trem, de pontes terem sido danificadas pela tempestade ou por deslizamentos das montanhas. Pensei nesses e em outros possíveis obstáculos. Percebi que caso sofrêssemos um acidente, como de os trilhos ficarem bloqueados pela neve ou o trem descarrilar, o maquinista e o foguista seriam os que mais estariam expostos ao perigo e uma colisão violenta provavelmente custaria a vida deles. Todos esses pensamentos e outros eu expus, num rápido questionamento, ao maquinista ocupado e sua resposta foi uma lição que jamais esquecerei. Ele disse, embora de um jeito abrupto e desarticulado: “Olhe para o farol da locomotiva. Aquela luz não ilumina os trilhos por 100 metros ou mais? Bom, tudo que eu tento fazer é cobrir esses 100 metros de trilhos iluminados”. Em meio a neve e o vento, naquela noite tempestuosa, vi em seu rosto um sorriso bem-humorado e um piscar de olhos: “Acredite, nunca consegui dirigir essa locomotiva velha tão rápido a ponto de ultrapassar os 100 metros de trilhos iluminados. Que Deus a abençoe por isso! A luz da locomotiva está sempre à minha frente!”
Quando ele subiu para o seu lugar na cabine, corri para tomar o primeiro assento de passageiros e, ao sentar-me no banco acolchoado, sentindo o prazer do conforto e do calor, em grande contraste com a noite fria lá fora, pensei muito nas palavras do maquinista, todo sujo e com manchas de óleo na roupa. Eram palavras cheias de fé, a fé que acompanha realizações, que dá coragem e determinação, que conduz obras. O que teria acontecido se o maquinista tivesse falhado, hesitado e sentido medo, se tivesse se recusado a prosseguir por causa do perigo ameaçador? Quem sabe que trabalhos teriam ficado por fazer, que planos teriam sido nulos, que encargos divinos de misericórdia e consolo teriam sido impedidos de se realizar se o maquinista fraquejasse e sucumbisse ao medo?
Por uma pequena distância, os trilhos castigados pela tempestade estavam iluminados e por aquela curta distância o maquinista foi dirigindo a locomotiva.
Podemos não saber o que nos espera em anos futuros, nem nos próximos dias e horas. Mas por alguns quilômetros, ou provavelmente apenas alguns metros, os trilhos estão iluminados, nosso plano é claro, nosso curso é visível. 
Por aquela curta distância do próximo passo, iluminados pela inspiração de Deus, podemos seguir em frente!

(Élder James E. Talmage (1862–1933), que serviu como Apóstolo durante 22 anos e escreveu dois livros para a Igreja que são muito usados hoje: Jesus, o Cristo e As Regras de Fé. Em janeiro de 1914, começou a publicar uma série de parábolas tiradas de sua própria experiência pessoal, que ensinam princípios do evangelho.)


Feliz por estar aqui em mais um aniversário de Jesus, que deu sua vida por amor e para nos mostrar o caminho, desejando a todos os amigos, que para minha enorme alegria, são muitos e, claro, a toda minha família, um Natal repleto de paz e alegria.


FELIZ NATAL a todos!!

2 comentários:

  1. Sensacional parábola meu amigo! Mostra de uma maneira bem simples que não devemos temer as adversidades da vida, afinal, sejam 100 metros ou um período de tempo curto, temos que seguir em frente e fazer o que tem que ser feito. BOAS FESTAS!!!

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